No início deste diário, Etty é uma jovem de Amsterdã, intensa, apaixonada, envolvida em várias histórias amorosas. Lê Rilke, Dostoiévski, Jung. Ela é judia, mas não praticante. Os temas religiosos a atraem e às vezes ela fala sobre eles. Então, pouco a pouco, a realidade da perseguição começa a se infiltrar nas entrelinhas do diário. Etty registra os rumores sobre amigos que desapareceram nos campos de concentração, ou foram mortos ou presos. Um dia, na frente de um pequeno grupo de árvores, ela encontra o cartaz: «Proibido aos judeus». Outro dia, certas lojas são proibidas aos judeus. Outro dia, os judeus não podem mais usar a bicicleta. Etty observa: «Nossa destruição se aproxima sub-repticiamente por todos os cantos e logo o círculo se fechará à nossa volta, de maneira que nenhuma ajuda de pessoas bem-intencionadas será mais possível. Agora ainda há muitas frestas, mas elas serão tapadas». Mas, quanto mais o círculo se fecha, mais Etty parece adquirir uma força extraordinária dalma. Ela não pensa por um único momento, mesmo tendo a possibilidade, em se salvar. Pensa em como poderá ajudar aqueles muitos outros que estão prestes a compartilhar com ela o «destino coletivo» da morte administrada pelas autoridades alemãs. Confinada em Westerbork, um campo de triagem do qual um dia será enviada a Auschwitz, Etty ainda exalta naquele «pedaço de campina cercado de arame farpado» sua capacidade de ser um «coração pensante». Se a técnica nazista consistiu, acima de tudo, em causar a degradação física e psíquica das vítimas, podemos dizer que, em Etty, causou o efeito oposto. À medida que o fim se aproxima, sua voz se torna mais clara e mais segura, sem rachaduras. Mesmo no auge do horror, ela consegue rejeitar cada átomo de ódio, porque tornaria o mundo ainda mais inóspito. A disposição de Etty para amar é invencível. Um dia anotou: «endurecido: distinguir de insensível». E é a sua própria vida a nos mostrar essa diferença. Assim, o testemunho de Etty permanece entre os mais preciosos que a perseguição aos judeus nos deixou.
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Va néixer el 15 de gener de 1914 a Middelburg (Països Baixos) i es va criar a Deventer, on el seu pare ensenyava llengües eslaves. Va estudiar Dret i Llengües eslaves. Es guanyava la vida fent classes de rus, llengua de la seva mare, que havia fugit de Rússia pel progrom de 1907.
Entre 1941 i la seva mort va escriure un diari sobre l'ocupació nazi d'Holanda i va mantenir una abundant correspondència. Al juliol de 1942 va començar a treballar per al Consell Jueu d'Amsterdam, organisme que feia de pont entre l'administració nazi i la població jueva, i es va oferir voluntària per treballar d'assistent al camp de concentració de Westerbork. Com a membre del Consell podia entrar i sortir del camp regularment i ho va aprofitar per portar missatges, aliments i medicaments per a la població reclosa i fer de correu de la resistència.El 7 de setembre de 1943 la família Hillesum va ser traslladada de Westerbork a Auschwitz. Els seus pares van ser assassinats tan bon punt hi van arribar; Etty Hillesum hi va morir el 30 de novembre de 1943.
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